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Excesso de gordura abdominal aumenta risco de incontinência urinária, mostra pesquisa

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Distribuição da gordura no corpo pode ser mais relevante do que o peso total. Crédito da foto: Allgo An/Unsplash

Um estudo divulgado pela Agência Fapesp trouxe novas evidências sobre um problema que afeta milhões de mulheres e ainda é cercado de silêncio. Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos identificaram que o acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente a gordura visceral, está fortemente associado ao aumento do risco de incontinência urinária de esforço. Os resultados foram publicados no periódico European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology e indicam que a distribuição da gordura no corpo pode ser mais relevante do que o peso total para explicar a condição.

A incontinência urinária de esforço é caracterizada pela perda involuntária de urina em situações cotidianas, como tossir, rir ou praticar exercícios. Embora muitas vezes seja associada ao envelhecimento, ela pode atingir mulheres de diferentes idades. Segundo a pesquisadora Patricia Driusso, que orientou o estudo, trata-se de um problema relacionado à incapacidade do assoalho pélvico de suportar o aumento da pressão abdominal, algo que pode ocorrer mesmo em mulheres jovens, especialmente quando essa musculatura não é devidamente fortalecida ao longo da vida.

A pesquisa faz parte de uma linha mais ampla que investiga disfunções do assoalho pélvico, incluindo também condições como prolapso de órgãos, dor pélvica crônica e disfunções sexuais. Nesta etapa, o foco foi compreender como a gordura corporal, distribuída em diferentes regiões, influencia a ocorrência da perda urinária. O trabalho foi conduzido pela fisioterapeuta Ana Jéssica dos Santos Sousa, em colaboração com a Western Michigan University, nos Estados Unidos.

Para chegar às conclusões, os cientistas avaliaram 99 mulheres entre 18 e 49 anos, com diferentes índices de massa corporal. As participantes passaram por exames de densitometria corporal por DXA, considerado padrão ouro para medir não apenas a quantidade total de gordura, mas também sua distribuição específica. Além disso, responderam a questionários validados sobre sintomas de incontinência e impactos na qualidade de vida. Cerca de 39,4% relataram episódios de perda urinária, um percentual alinhado com estimativas internacionais.

O dado mais relevante foi a associação direta com a gordura visceral. Mulheres com maior acúmulo desse tipo de gordura apresentaram um aumento de aproximadamente 51% na probabilidade de desenvolver incontinência urinária de esforço. Diferentemente da gordura subcutânea, a gordura visceral se acumula entre os órgãos e exerce pressão constante sobre a cavidade abdominal, sobrecarregando o assoalho pélvico. Além disso, ela é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que podem comprometer a função muscular, contribuindo para o enfraquecimento dessa estrutura.

Os achados reforçam que a obesidade é um fator de risco importante, mas destacam que não se trata apenas de peso. Mesmo mulheres com IMC considerado normal podem apresentar maior risco dependendo de onde a gordura está concentrada. Outros fatores também entram nessa equação, como menopausa, gestações e condições do parto, especialmente quando há intervenções obstétricas inadequadas.

Embora o estudo seja transversal e não estabeleça relação de causa e efeito, ele contribui para orientar estratégias de prevenção e tratamento. O fortalecimento do assoalho pélvico, por meio de fisioterapia especializada, continua sendo a principal abordagem terapêutica, com alto nível de evidência científica. Quando realizado corretamente e com acompanhamento profissional, o treinamento pode trazer melhora significativa em poucos meses, embora precise ser mantido ao longo da vida.

Os pesquisadores já planejam novas etapas, incluindo o uso de ressonância magnética para investigar a presença de gordura infiltrada diretamente nos músculos, além de avaliar protocolos específicos para mulheres com obesidade. Para os especialistas, ampliar o debate sobre a incontinência urinária é fundamental, já que se trata de uma condição comum, com impacto direto na qualidade de vida, mas que ainda é pouco discutida e frequentemente subnotificada.

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